A cabeça é um foguete, um vulcão. Uma cidade em furacão. Um liquidificador que permite a entrada e a mistura de diversas coisas num barulho silencioso quase infernal. Uma panela de pressão. E o corpo funciona a base disso, desse objeto que recebe e comanda tudo. Uma bomba prestes a explodir a qualquer momento. Em constante transformação é possível escutar o barulho do processo de informações, erros e desejos que se tem ali.
Assim como um pingo de tinta preta escurece a tinta branca, a influência da cidade em furacão interfere no mundo todo. O corpo não te respeita mais e insiste em explodir. A própria cabeça não se aguenta mais de coisas e quer se esvaziar, ao mesmo tempo que como uma máquina que dispensa qualquer tipo de energia para funcionar, produz a cada hora, cada minuto um novo caminhão de ideias sensatas e absurdas que fazem de você um corpo elétrico, mutante e do tamanho de uma infinidade incontrolável.
E pelo fato de não querer o quer; de relutar contra o que sente e não conseguir controlar o que se deve, o cérebro pede uma pausa. No barulho, no escuro, no silêncio, na solidão. No infinito. O cérebro para, a erupção do vulcão de acalma. Os ponteiros do relógio andam mais devagar, quase parando, parando, parando ... e tudo volta ao seu lugar. Por um instante a poeira se abaixa e o tão esperado normal paira sobre você. Seus erros, culpas, medos e vontades não tomam mais conta de você e tudo está certo, em paz. Mas de uma hora pra outra tudo se acaba, e o foguete volta a decolar, o liquidificador mutante volta a funcionar, todos os barulhos insuportáveis também e a bomba em sua cabeça volta a se formar.
ao som de : lobão - a vida é doce
Nenhum comentário:
Postar um comentário